Eduardo Cunha e Feliciano, similitudes.

Eduardo Cunha será o Marco Feliciano do segundo mandato de Dilma, segundo o meu Instituto de Previsão e Profecia Política.

Bem, Feliciano e Cunha são o bode na sala. Para quem está ao governo, um estorvo; para quem detesta quem governa, a adorável e divertidíssima mosca na sopa. Para quem ganhou a eleição, uma pedra no meio do caminho; para quem foi empurrado para a minoria, uma forma de lembrar à maioria de que “deputados não são moleques de recado da Presidência da República”, que “a Câmara é um poder independente” e outras frases grandiosas como que se tenta retoricamente converter interesses em princípios.

Depois vêm as diferenças. A primeira, naturalmente, diz respeito ao tamanho do bode. Feliciano era a raposa tomando conta do galinheiro dos Direitos Humanos. Mas se a CDHM era uma comissão crucial e delicada, não tem como se comparar à importância da Presidência da Câmara. Cunha, demais disso, está na cabine de comando do transatlântico do PMDB e não com a mão no remo do bote do PSC – não pode ser tratado como cachorro morto.

Por outro lado, Cunha pode representar a mesma distração que Feliciano proporcionou ao governo. Cunha é tão radical, enfezado e estúpido quanto Feliciano, vai querer pisar em todos os calos possíveis do governo, da esquerda, das agendas liberalizantes do centro político. Este último será o seu erro, pois o centro domina a opinião pública, jornalismo e a Internet social. Cunha já está propondo uma reforma política conforme o seu paladar, esperem para ver o barulho que isso vai gerar. Em breve, poderemos ter o centro político na base de um “‪#‎TodosContraCunha‬. Restará à direita isolada, em um polo, ao redor do seu campeão, fazer manifestações contra “o governo e a mídia”. O governo teria, então, nos próximos quatro anos uma desculpa conveniente e plausível para segurar certas agendas e mandará botar tudo na conta do Cunha. Revoltados, os meninos (e marmanjos regressivos) da ultraesquerda sairão às ruas para se manifestar contra “os políticos e a mídia”. E o governo irá governando, negociando aqui, barganhando acolá, cedendo, perdendo, ganhando. “Politics as usual”, claro, que alguém tem que governar essa bagaça.

Publicado por Wilson Gomes in:

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